Navegando.
Luzes ultrapassam a janela, mas não acordo.Hoje posso mais.
Um passarinho bate na minha janela, quicando no vidro, mas hoje não estou pra ele.
Ele terá de esperar.
Um pouco mais tarde, ponho os pés no chão, ponho sem perceber.
Acordo ao ouvir música fantástica, ocorre-me a dúvida de ter acordado realmente.
Chamo o meu mensageiro, pergunto-lhe quais mensagens me traz das pessoas queridas.
Mas ele me informa que não há nenhuma, minhas pessoas queridas sairam para ver o mar.
Eu terei de esperar.
Encontro quem eu esperava, me esperando pra caminhar.
Mas não lhe darei mais as minhas mãos.
Prefiro ficar olhando as cousas sozinha.
E assim vai-se embora quem eu tanto esperei, e eu sinto alívio, não sinto tristeza.
Retorno ao meu quarto, e vou escrever.
Escrevo sobre as coisas da vida, escrevo sobre o que ninguém quer ler.
E assim me amo um pouco mais.
Penso sobre como bater as asas sabendo que se tem apenas vinte e quatro horas de vida.
Penso se isso causa força ou agonia.
Se pular pode mesmo ser pior do que ficar parado imaginando como seria.
(embora, em inegável segurança).
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Hoje me sinto leve, me sinto bem.
E não devo orar pra que amanhã também o seja, tenho de aproveitar enquanto é.
Isso, sem perceber, já o torna melhor.
Querer de verdade, já torna parte de tudo realidade.
Não se deve negar nada a si mesmo.
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Hoje eu só quero ser minha, minha e sua.
Hoje quero ser um pouco de paz, e um pouco de caos.
"só aquele que ainda possui o caos dentro de si pode gerar uma estrela que dança"
Quero um pouco de amor, e um pouco de razão e de loucura.
"há sempre seu quê de loucura no amor, mas há sempre seu quê de razão na loucura".
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Navego nas águas sem fim, e ponho as mãos do lado de fora do barco.
Fico apenas sentindo a correnteza por entre os dedos, e é tão suave.

1 Comments:
Lembrei-me da Virginia Woolf, lendo isso. Achei muito bom, muito bom mesmo.
:]
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